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19 de agosto de 2012 / Fábio Flatschart

Direção de arte e Open Web Platform

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O conceito de direção de arte ganhou grande importância nos EUA a partir dos anos 40, fruto da necessidade da publicidade e do cinema de representar o “american way of life “. Cada detalhe era exagerado em sua carga simbólica na busca de exteriorizar a imagem da perfeição e da supremacia pretendidas pelos americanos.

Um bom exemplo deste princípio estético e político que permeava o processo de criação e produção é esta cena do filme  The Milkman ( “O leiteiro” ) de 1950 protagonizada por Donald O’Connor que interpreta canção The Early Morning Song ( “A Canção do Amanhecer” ).

Todos elementos da linguagem audiovisual são propositadamente “arrumadinhos” para garantir a plena compreensão da obviedade da cena que é conduzida com extremo zelo de cenografia, enquadramento, “mickeymousing” ( técnica de representar cada movimento ou intençao da cena com elementos rítmicos e melódicos  explicitos) e com uma coreografia algumas vezes em forma de pantomima, outras vezes em movimentos extraídos da arte circense.

Como pano de fundo casas, ruas, cozinhas, cercas, jardins, figurinos….na mais perfeita exaltação da “beleza americana” que mais tarde seria retratada de maneira decadente no filme de mesmo nome do diretor Sam Mendes.

Estes  elementos e conceitos da direção de arte permeiam a produção audiovisual estão presentes, respeitando as especificidades de cada meio também na mídia impressa e nos meios digitais com a web.

Mas quem é o profissional responsável pela direção de arte na web ? Para responder a esta pergunta vou voltar um pouco no tempo e responder quem era o profissional de web quando eu começava a migrar para esta área , por volta de 1997. Em geral eles tinham dois perfis bem distintos :

  • Tecnológico : O pessoal de informatica, computação, engenharia, matemática e áreas afins

Para eles a internet era uma nova possibilidade de linguagens, códigos, sintaxes. Geralmente desprovidos de qualquer senso estético, uma página web era qualquer representação gráfica de um monte de linhas de código.

  • Artístico : O pessoal de cinema, rádio e tv, artes, comunicação e áreas afins

Para estes a web era um novo suporte para suas elocubraçoes visuais e sonoras, um novo meio de comunicação, de novo o meio era mensagem, a nova aldeia global.

Essa batalha arte e tecnologia já rendeu livros, filmes , teses e também discussões intermináveis na agências e produtoras :

“Qualquer analista profissional de tendências nos dirá que os mundos da tecnologia e da cultura estão colidindo. Mas o que surpreende não é a própria colisão, é o fato de ela ser considerada novidade – JOHNSON, Steven. Cultura da interface: como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar.

Quando do surgimento da fotografia na metade do século XIX dizia-se que estava decretado o fim da pintura, quando o tímido experimento dos irmãos Lumiere ganhou dimensões comerciais dizia-se que o teatro e os musicais se extinguiriam, o mesmo se falou da televisão em relação ao rádio. De certo modo isto se manteve inalterado até a última década do séc. XX, momento a partir do qual a revolução digital e a internet começaram a varrer os últimos guerreiros analógicos das trincheiras da mídia.

Aos poucos quebramos a lógica de Mcluhan que dizia que o meio é a mensagem, quando hoje o meio , ou o suporte passa a ser indiferente já que informação digital rompe a parceria entre forma e conteúdo: o conteúdo são os bits e a forma pode ser aquela que quisermos em qualquer dispositivo que realize a decodificação dos bits…Hoje, na segunda década do século XXI, estas questões começam a ficar para trás. A revolução digital já era!

Falar em revolução digital tinha sentido para aqueles que nasceram no mundo analógico e acompanharam a transição dos átomos para os bits. Do VHS para o DVD, do vinil para o iPod. Que sentido tem falar em revolução digital para a geração que nasceu após 1995 e não conheceu o mundo sem WEB, MP3 e afins? Interatividade agora é palavra chave!

Os profissionais desta nova geração não têm mais necessidade de digitalizar o mundo, mas sim de interagir com ele. Este novo profissional, que começa a ser muito requisitado pelo mercado, é aquele que faz a ponte entre digital e o interativo é aquele que transita com desenvoltura entre as referências históricas e as últimas novidades tecnológicas.

Voltando especificamente para a web, importante dizer que não é mais possível ter um olhar individual sobre as camadas de conteúdo, apresentação e comportamento pois elas se completam e se mesclam interligadas pela semântica. Não existe mais nada gratuito e supérfluo, tudo deve ser relevante para a construção dos significados.

  • Novos recursos de tipografia, antes impensados, agora tornam-se prática comum viabilizando um número de fontes e padrões praticamente infinitos, não mais como imagem, agora com como texto indexável e semântico.
  • CSS Regions, CSS ShadersCSS Compositing permitem projetos responsivos e fluidos que não ficam devendo nada aos complexos layouts antes exclusivos da mídia impressa
  • WebGL e Canvas aproximam a web do mundo dos games, da animação e da realidade aumentada
  • O formato SVG ( imagem vetorial baseada em XML ) veio para ficar
  • ARIA e o cuidado com acessibilidade permitem construir experiências ricas de navegação para todos os públicos
  • UI e UX tornam-se setores estratégicos dentro das empresas.
Guardadas as devidas proporções, assim como no clip do filme The Milkman, nenhum deste elementos  é apenas um “detalhe” ou uma “firula” como se costumava dizer, eles são partes indissolúveis da interface, a nova grande forma de arte, comunicação e inovação tecnológica do séc XXI.
Pensar em direção de arte para web e desconhecer este novo cenário, é ignorar a fusão “arte e tecnologia” é ignorar o legado do homem renascentista que está construindo uma nova era, a era da Open Web Platform :

É a época mais fascinante e inovadora da web desde de sua criação!
Karen Myers, W3C