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Clécio Bachini

2 de maio de 2012

A Plataforma Aberta da Web – Open Web Platform

Grafeno: se tudo der certo, circuitos serão feitos disto
Grafeno: se tudo der certo, circuitos serão feitos disto

Está surgindo uma nova era, e poucos ainda se manifestaram sobre ela. É a era da Plataforma Aberta da Web. Mais do que o rótulo de HTML5, as tecnologias ligadas à Web vão sofrer uma revolução com os novos recursos agregadores de mídias, armazenamento e transmissão de dados. O mecanismo que hoje chamamos de browser vai se tornar a grande máquina virtual, que estará em todos os dispositivos.

Sei que você pode imaginar que o tablet é realmente a grande revolução da mobilidade. Mas ele está longe, mas muito longe do que nós discutíamos no Ipiranga (no tempo do colégio técnico em eletrônica na GV) nos anos 90. Longínquos anos 90! Lá já falávamos de folhas de papel touch screen com sistemas em nuvens. Portanto, estamos ainda na pré-história.

Não pense em dispositivos. Os dispositivos, como pensamos hoje, serão uma piada. A web estará em tudo. Nas roupas, nos livros, nas paredes, nas tintas, nas lâmpadas. E por que a web, e não Java ou Python ou Ruby ou C? Porque a web é a maneira mais inteligente e humana de se criar interfaces! A web, quase por acaso, se tornou o meio mais simples e rico de se transmitir e interagir com a informação.

Isto acontece pela maneira como as tecnologias web são construídas. Explico – temos camadas: a grande camada semântica e estrutural – HTML; a camada de estilo, beleza, decoração e agora animação: CSS; e a camada de interatividade, a cola que faz a web rica: o Javascript ou EcmaScript. Cada uma dessas camadas deve funcionar e ser construída de maneira independente, permitindo que a riqueza da experiência não seja destruída por uma intervenção em alguma das camadas.

A camada HTML permite que objetos sejam criados de uma maneira muito peculiar: eu posso explicar o sentido de cada objeto, para que alguém com uma cultura diferente possa tentar entender. Esse alguém pode ser um ser humano ou uma máquina. No caso de ser um ser humano, eu posso tentar explicar detalhadamente o que estou tentando mostrar naquela interface. Por exemplo, explicar a um deficiente visual que a minha página ensina crianças a criar jogos com blocos de montar. Isto tornar essa estrutura rica e fascinante. Indo além, meu código pode ser entendido por alguma máquina. Assim, poderia desenvolver um robô que compreenda o sentido da minha página e faça conexões com outras páginas, para criar um resultado completamente diferente, que talvez nenhum ser humano fosse capaz de notar. A isto chamamos semântica. E o HTML é uma forma espetacular de fazer códigos que façam sentido para os seres humanos e as máquinas.

Depois da semântica criada, podemos dar forma e estilo. Isso fazemos com uma tecnologia chamada CSS. E essa linguagem é distinta do HTML, mas não menos genial. Ela permite que uma mesma estrutura possa ter aparência diferentes de acordo com diversos fatores, até mesmo a vontade do ser humano responsável. Assim, com essa independência, eu posso dar formas visuais diferentes a um mesmo código, sugerindo diversas experiências sem interferir ou destruir a semântica original.

Por fim, cola. O Javascript (Ecma) é o que permite ações e reações relacionada às duas camadas anteriores. Ele é a eletricidade. Ele ouve e fala. Ele é a alma (do latim “o que anima”) da Open Web Plarform. Vejamos: o HTML e CSS é apenas um retrato inicial da sua interface. Sim, uma fotografia do que o projetista da interface quis como inicio. Mas só como inicio. O Javascript permite modificar os objetos HTML bem como seu estilo CSS. Assim, podemos criar e modificar livremente conteúdo em tempo real. Podemos ouvir um evento, como um clique, e a partir disto criar um texto dentro de uma caixa. Podemos mudar a cor, podemos animar e arrastar. Podemos, com HTML5, praticamente tudo.

Pense que os objetos do HTML são como aquela bonecas russas, uma aninhada dentro da outra. Um objeto pai pode conter inúmeros objetos filhos. Assim, porque estamos lidando com objetos, podemos dizer que se trata de um Modelo de Documentos em Objetos, em inglês a sigla é DOM. E se temos pai e filho, temos herança. Entenda a herança como se pegássemos a boneca russa e mudássemos de lugar. Todas as que estão dentro se movem juntas. Assim acontece com os objetos em Open Web. E isto cria um maneira muito simples de construir interfaces. Eu crio um bloco semântico que contém alguns objetos relacionados.

Matroshka, Bonecas Russas: Objetos em Cascata
Matroshka, Bonecas Russas: Objetos em Cascata

Ok, introduzido o HTML e a Open Web, por que eles são revolucionários?

Porque a Web vai ser a máquina virtual universal. O sonho que o Java tinha, a web vai concretizar.

A web já roda em praticamente todos os dispositivos microprocessados. E vai rodar em tudo mesmo. O motor que toca o HTML nos browsers vai estar presente em todos os lugares. O processamento, com a internet de alta velociade, não vai ser local, mas remoto. Em um futuro muito próximo, folhas de papel, plásticos, tecidos revestidos de grafeno terão capacidade de se tornar dispositivos inteligentes, conectados em rede. Ou seja, qualquer objeto vai ser um computador em potencial – barato e descartável. Nesse dispositvo, eu aposto, rodará web.

Por que web é simples e fácil de fazer. É fácil de aprender e ensinar. É de graça e universal. A Web é poderosa, e sua semântica, quando usada com sabedoria, é abrangente e poética. E agora, com a inclusão de suporte a áudio, vídeo, animação e 3D avançados, não há motivo lógico pra se usar outra interface. As outras linguagens não vão morrer, muito pelo contrário, vão ter um vida longa e próspera rodando no lado dos servidores, produzindo Open Web.

Telas Flexiveis
Samsumg Youm: Telas Flexiveis

Daqui a dez anos o metro vai parar na estação e toda sua superfície vai estar coberta com um adesivo de propaganda, como hoje. A diferença é que ele vai ser animado e interativo. Esse adesivo vai rodar Web. Dentro do metro, você vai ver uma propaganda que diz “Curta essa marca”. Você vai poder clicar no adesivo e curtir. No supermercado, o iogurte vai falar com você. E, não duvido, até o dinheiro vai interagir, para evitar falsificações, com dados de geolocalização e rastreabilidade. Pense numa Onça animada na nota de cinquenta reais. Isto está mais perto do que você pensa, e isto é Web. Prepare-se.

Então, Web não vai estar mais dentro do laptop ou desktop, ou de um celular ou tablet. A web vai estar colada em tudo, interagindo com a internet que vem da nuvem. Portanto, pensar hoje em fazer apps para um único dispositivo é no mínimo uma estratégia desastrada. As pessoas devem se preparar para um mundo onde o dispositivo não importa. O que importa é a experiência humana, a interface.

PS: Conversando com a Talita Pagani, ele me introduziu o conceito de Tangible User Interface e Organic User Interface. Dêem uma olhada neste artigo:http://www.organicui.org/?page_id=5. E agora imagine que roda web. É isto. 😀



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