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13 de fevereiro de 2012 / cbachini

Redes Sociais: Ensinando andróides a pensar

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Apple McIntosh

Isto é uma maçã

Um pequeno robô vê uma maçã. Maçã: fruta suculenta, a preferida de muitas pessoas. Também deu nome à fábrica de dispositivos eletrônicos. Alguns amam, outros detestam. Mas a inspiração – essa veio do Newton, que estava embaixo da macieira quando a fruta, madura, vermelha e suculenta, caiu na sua cabeça revelando a gravidade. Lenda ou verdade? O robô talvez não saiba responder, mas ele sabe o que as pessoas sabem e sentem a respeito disto.

Dois dias atrás, conversando com o Fábio Flatschart, ele me apresentou o Pinterest. Ok, mais uma rede social que a profissão nos obriga a conhecer. Só que para mim, o Pinterest foi a maçã do Newton. Caiu na minha cabeça e percebi algo que nunca tinha pensado: estamos ensinando às máquinas pensamento subjetivo!

Vejam só: há muitos anos existem máquinas que aprendem. Aprendem por experiência e obervação, como um filhote. Neste perfil, quem programa o instinto inicial é o construtor da máquina. Ele também coloca alguma informação e inteligência artificial. Geralmente tudo isto embarcado ou em alguma rede local.

Pois é, inteligência artificial: para mapear todo o conhecimento humano com sua subjitividade cultural qualquer fabricante de software levaria décadas. E mais – quando alguém responde uma pergunta com algum tipo de estimulo, como dinheiro ou prêmios envolvidos, a transparência das informações é comprometida. Quantas vezes eu vi os carros de pesquisa para novos produtos parados na rua Tuiuti e o povo fazendo fila pra responder que adorou só pra ganhar algum prêmio.

Mas agora, meus amigos, todo conhecimento humano, em nível racional e emocional está sendo mapeado. E, nenhuma empresa está pagando por isto. Muito pelo contrário, as pessoas estão fazendo isto de graça, como voluntárias, e com prazer. Isto se chama Redes Sociais.

Nas redes sociais as pessoas compartilham livremente suas opiniões, emoções, fatos do cotidiano, imagens, músicas, gostos, cultura, religião etc. Eu deixo claro que gostei no Facebook, eu coloco um hashtag no Twitter. Tudo pra deixar bem explicito o que quero dizer.

E isto, se ninguém notou ainda, está criando um vetor cultural, que vai ensinar às máquinas, com alguma inteligência artificial baseada em pilares muitos simples, entender subjetividade.

Superman 1941

Robô Wi-Fi - Superman -1941

E como o Pinterest me ensinou isto? Vamos lá: eu navego na rede e vejo uma foto de uma maçã. Eu coloco um pin nesta maçã, e pinduro no meu quadro virtual dentro do Pinterest. Este quadro tem um nome, dando valor semântico ao objeto virtual. Outras mil pessoas fizeram a mesma coisa com a mesma imagem. Só que cada um criou um valor semântico único, classificando essa imagem e fazendo um comentário. Jogando um pouco de inteligência artificial em cima disto, eu posso obter um vetor que aponta qual a tendência emocional aquela imagem causa em determinados grupos sociais. Ou seja, a máquina é capaz de saber que emoção uma determinada imagem causa nas pessoas. Assustador, não? Mas isto é só o começo!

Na ficção científica, os andróides se assemelham tanto ao homem que, como nós, carregam o conhecimento embarcado. Até pouco tempo, sempre pensamos em robôs que seriam programados para entender certos problemas. Mas agora minha visão mudou. É um chute, mas penso que a inteligência artificial vai existir primordialmente na nuvem. E que todo autômato vai estar ligado em nuvem como um terminal burro que consulta seu mainframe. Isto vai desde os nano-robôs que vão construir os edificios, até os adesivos interativos colados nos postes. As embalagens das bolachas que tocam propaganda, a garrafa de Gatorade que controla o seu treino. Essa é a grande era da internet das coisas! E a tecnologia pra isto se chama Open Web Platform, do W3C.

Minha visão é que todo o conhecimento das pessoas está sendo armazenado de maneira natural e vai alimentar uma base de inteligência que vai fazer a Matrix parecer um Fiat 147. Caso não tenha percebido isto está acontecendo agora. E não é uma coisa boa ou ruim. É um fato.

Não se iluda com os estudos sobre redes sociais que publicitários estão fazendo. Publicitários não conhecem Alan Turing, autômatos e Prolog. Eles apenas sugam a nata gordurosa e perceptível que está sobre as mídias sociais. O melhor, o incrível e o extraordinário estão em baixo. Este é o leite que vai alimentar as máquinas, num futuro que nem Verne, Asimov ou Orwell ousaram imaginar.

Do Androids Dream of Electric Sheep?  – perguntou Philip K. Dick. Eu agora prefiro pensar que os Andróides sonham com Redes Sociais.

Tudo isto até a próxima tempestade solar. 😀